Páginas

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O deslife de Herchcovitch no SPFW 2016

Gostaria de começar dizendo que minha vontade aqui é de parar de digitar esse post e bater palmas. Sim, acho que algo importante aconteceu essa semana e precisa ser comentado: Alexandre Herchovitch, um dos maiores estilistas brasileiros, fez uma coleção - muito bacana, por sinal - em apenas 45 dias para o SPFW (São Paulo Fashion Week), usando o conceito de upcycling, que estimula o não desperdício.

Eu já gostava do trabalho do Alexandre como artista, sempre o achei muito versátil, inovador, criativo ao extremo e agora o acho sensível, também. Ele já fez parcerias com várias marcas acessíveis, o que o tornou bem conhecido por aqui, e até quem não é muito ligado em moda sabe que ele existe. Lembro bem de uma coleção dele para a chilli beans a qual conferia uma pegada rústica aos óculos que possuíam hastes de madeira e design irreverente. Foram os primeiros modelos de óculos com madeira que eu me lembro de ter visto na vida, mas hoje em dia que a ideia se popularizou e caiu de verdade no gosto das pessoas.


O fato é que agora o estilista ganhou meu coração de vez. Ele criou uma coleção inteirinha com peças e tecidos vintages utilizados em outros processos criativos que estavam sendo guardados e usou também material reciclado, levando a tendência do consumo consciente pro mundo da moda. Dentre os tecidos havia materiais das décadas de 40 até 90 como o linho-denim e risca de giz. Fora que foi uma criação livre, sem estação definida! Adoro quando o povo inventa coisa diferentona. hahaha Acho que ele foi um porta-voz de uma tendência latente, que vem crescendo e se propagando cada vez mais que é a do não desperdício e espero que outros estilistas agucem seus olhares e se inspirem nessa atitude tão bacana do Herchcovitch porque é moda consciente que a gente quer ver também na passarela!


Vamos às fotos, então? 

 Amo tecidos fluidos.

 Acho que se tivesse assistindo ao vivo, teria que me conter pra não levantar da cadeira e sair correndo pra abraçar essa modelo. Não dá vontade de abraçar essa pelucinha?

Sairia assim amanhã mesmo! Mas sem o peitinho de fora porque ainda não sou tão ousada. 

Amei essa, tipo, muito. Jeans é vida! 



Adoro roupa que parece confortável.  

~Imagens retiradas do www.ffw.com.br

Alê, kyrido (olhem a íntima), sinta-se beijado!


White e Off-white juntos, porque sim!

Há muito tempo os paradigmas da moda vem sendo quebrados e os engessamentos de estilo sendo desfeitos, o que a torna cada vez mais democrática e fortalece a liberdade das pessoas para expressar estilos autênticos sem muitos apegos. Sabe aquela velha história de combinar bolsa com cinto, que por sua vez combina com o sapato? Velha mesmo, digna de estar num museu da moda junto com aqueles vestidos bolofofôs dos anos 1800 e alguma coisa. E o comprimento midi que não deve ser usado por baixinhas? Quem proibiu isso? As gordinhas, coitadas, devem passar mais longe de listras horizontais que de cheeseburguers. Afinal, "existe algo mais inapropriado"? PUFFF!!!!

Não desmerecendo o estudo técnico de harmonia entre proporções, silhueta e imagem, mas eu ouso a discordar de tudo. Primeiro porque eu não sou obrigada a nada. #rebeldiaealegria haha Segundo porque tenho uma verdadeira aversão a essas regrinhas que, na minha opinião, só corroboram com a exclusão das pessoas que não fazem parte do padrão estético mais aceitável e escorrem lágrimas de alegria cada vez que eu vejo gente desobedecendo tudo isso. Divido da opinião que todo mundo pode ser e vestir o que quiser e que bonito é estar confortável e se sentindo bem com suas escolhas, mesmo que elas não sejam condizentes com uma cartilha de regras que alguém criou. 

Esse blá blá blá todo pra chegar no ponto que quero abordar aqui hoje, que é o medinho da mistura de branco e off-white no mesmo look. Sério, é impressionante como as pessoas ainda acham que fica esquisito misturar os dois: ou é todo branco ou é todo off-white. Por quê? Misturar vermelho e rosa, cores vibrantes na mesma produção, tudo bem (alô, color blocking!), mas misturar duas cores claras e quase iguais fica estranho? Faz algum sentido isso, minha gente? Não, não. Tem alguma coisa errada aí que, ao menos pra mim, é inconcebível, "sóri". Para manifestar essa revolta (porque sou rebelde desde os 13 anos), saí assim ontem:

Mamãe gostou dos carros mais que de mim. 

Nessa ela foi acidentalmente genial ao enquadrar o "sunset" de fundo.

Nessa aqui, errr... Acho que ela se distraiu com a camisola da vitrine.


Se você tem vontade mas ainda falta coragem, aqui vão outras inspirações de gente que pensa como eu, só que são mais bonitas e tem fotos melhores porque provavelmente não são tiradas por suas mães. :D 






~ Imagens retiradas do pinterest.

Pronto! Dito isso, finalizo afirmando que nunca vou entender pessoas que têm medo dessa mistura. 

Besos,

Jessy. 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O primeiro dia da liberdade e o tempo

Fonte: Pinterest.


O primeiro dia da liberdade não foi bem como imaginei. Não fui à praia e nem ao shopping. Não fui à academia e nem passei o dia inteiro resolvendo pendências ou estudando, como havia planejado com cuidado na agenda. Resolvi algumas coisas, cumpri alguns compromissos, mas não dei "check" em todos os itens como achava que conseguiria, já que, finalmente, tinha tempo livre. Tempo. Coisa escassa, que gasto a vida - tempo - tentando administrar de forma inteligente, mesmo sem ter uma ideia lá muito concreta do que seria isso.

Eu sempre achei o máximo as pessoas que eu observava o comportamento e notava que eram mais eficientes do que eu. Cultivo admiração profunda pelos seres humanos inquietos e extremamente produtivos, que conseguem dedicar seu tempo pra absolutamente tudo! São lindos, treinam, trabalham, estudam, dão palestras, mantém hobbys, fazem trabalhos voluntários, saem com os amigos, saem com o namorado, saem com os dois, têm um bicho de estimação - ou dois - e uma mini plantação de temperos em casa. Eu, que já matei um peixe e um manjericão, ficava meio frustrada por não caminhar no mesmo ritmo e me sentir incapaz de dar conta de tudo, como esses seres humanos.

Acho que foi daí que me tornei aficionada por horários e distribuição - manipulação - de tempo. Achava que pra conseguir ser produtiva precisava somente organizar sistematicamente todo tempo disponível no dia, distribuir todas as tarefas que precisava executar e ao fim do dia dar check em todos os compromissos, algo diferente disso seria sinônimo de improdutividade. Dá pra imaginar o desespero quando surgiam imprevistos incontornáveis e que não dependiam unicamente de mim? Era um tormento na vida. Desassossego. E vem o questionamento conclusivo: pra que gastar tempo sentindo isso?

Ao longo da minha vasta experiência - cof, cof -  penso que administrar bem o tempo é sim fazer o máximo de coisas de forma produtiva sem negligenciar nenhum aspecto essencial da vida, nem a parte boa e nem a ruim. É ter tudo na dose certa. É cumprir obrigações e cultivar hobbys. Administrar bem o tempo é tudo isso, mas é também saber filtrar o que é importante, em que atividades vale a pena gastar "vida", despender energia. É saber quais sentimentos alimentar e quais deixar morrer. É estabelecer prioridades e metas, mas sobretudo, se perdoar quando os planos não derem certo.

Existem necessidades que precisam ser atendidas (e óbvio que não se limitam às fisiológicas) para a pessoa conseguir produzir, não dá pra simplesmente ignorá-las, por mais bobas que possam parecer. E não é o fim do mundo se um dia você quiser parar de ler um capítulo de administrativo pra ver um vídeo da chata de galocha no youtube ou dar uma volta no parque pra refrescar as ideias. Claro que o bom senso e equilíbrio precisam ser atuantes, não dá pra pender nem para um lado e nem para o outro.

É comigo que preciso lidar todos os dias e, pra conseguir ser o mínimo produtiva, tenho que estar bem. Pra eu estar bem, todos os âmbitos da minha vida precisam estar em harmonia, ou pelo menos a maioria. Pra isso acontecer eu não posso perder tempo carregando sentimento de culpa por não ter cumprido meta ou por não ter dado check em todos os itens das minhas listas de afazeres. Na busca pelo consumo mínimo de supérfluo, o melhor que posso fazer por mim é aplicar isso no plano sentimental e eliminar esses sentimentos ruins que também se encaixam na categoria das coisas elimináveis. 

                        
Fonte: Pinterest.


Eu não sei quanto tempo vou durar aqui e, por isso, decidi que a minha estada aqui na terra não vai ser sempre cronometrando tempo pra atingir metas. Como já falei, tenho mania de planejamento, de montar horários e definir quanto tempo eu vou gastar em cada atividade: academia, ballet, estudos, etc. Claro que isso é importante para que eu alcance os objetivos que estipulei pra minha vida, mas agora decidi que vou me perdoar nos dias em que eu só quiser seguir o fluxo das minhas próprias vontades porque não estarei "perdendo tempo", e sim investindo de forma sábia, agradando a pessoa que deveria ser mais importante pra mim: eu.

Por fim, afrouxar o nó da rotina pode ser a atitude mais sábia nessa busca por administrar bem o tempo de modo a não perdê-lo com o supérfluo (entendendo de verdade o que seria eliminável). Porque atender às suas vontades não é algo sem importância, pelo contrário: pode ser o que vai fazer de você uma pessoa melhor, mais bem humorada e consequentemente mais produtiva. Foi satisfazendo a uma necessidade minha que criei esse espaço onde posso falar de qualquer coisa, e tenho me sentido melhor assim.

O primeiro dia da liberdade não foi bem como imaginei. Ainda bem! Mais importante do que dar check em listas atestando "produtividade", é fazer descobertas desprogramadas que mudam pra melhor a sua forma de pensar.

Besos,

Jessy.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Dica de APP: Snupps

Quem nunca sonhou em ter um arquivo organizado com todas as peças que se tem no guarda-roupas? Acho que todas as meninas que assistiram ao filme "As patricinhas de Bervely Hills" desejaram o closet digital - bem tech para a época - da Cher. Nele era possível ver digitalmente as peças que tinha disponível no armário e fazer as possíveis combinações ali, na hora. Foi pensando nesse tipo de comodidade que pesquisei um bocado e encontrei o Snupps!

Fonte: Pinterest.

Esse aplicativo permite que você registre e categorize tudo o que você tiver: sapatos, bolsas, roupas, livros, quadros, esmaltes, games, Dvd's... Sei lá! TUDO. Você escolhe a forma de usar! Eu, por exemplo, quis que ele fosse um guarda-roupas, sapateira e caixa de acessórios. Ele é voltado pra moda sim, mas não necessariamente você precisa registrar só isso. Acho que o boy facilmente usaria pra registrar as cervejas que já tomou, as que quer tomar, dividindo em Pilsen, Lager, Ipa's e por aí vai. As "prateleiras" são suas e lá você coloca o que quiser, basta usar a imaginação.

Fonte: Pinterest.

O Snupps é o melhor aplicativo que já testei nesse segmento de organização e tem me ajudado muito na busca por simplificar a vida, vou explicar: 

Atualmente não perco mais tempo abrindo o guarda-roupas para ver o que está lá dentro e, só depois, decidir o que vestir. Se estou em outro lugar e surge um compromisso e eu preciso passar em casa voando pra trocar de roupa, no caminho eu já posso ir escolhendo o look, pois o app permite a visualização rápida do que você guarda lá. E faço isso também diretamente da minha cama, em dias de preguiça em que estou sem saco de fuçar gavetas e não quero fazer bagunça. 

Apesar de ser em inglês, é bem fácil de usar e possui o design limpo, coisas que considero bem importantes em aplicativos desse gênero. Senão é capaz de seu app ficar com aspecto bagunçado, caso haja poluição visual e aí, definitivamente, não cumpre a proposta de deixar nada organizado. Além disso, tem sido essencial na minha missão de reduzir as compras porque, tendo fácil acesso às minhas coisas, na hora de ir comprar eu não vou procurar algo parecido com o que já tenho e, além disso, também dá pra identificar o que tenho em maiores quantidades e que estou precisando mais. Dessa forma o app permite um melhor gerenciamento das nossas comprinhas e ajuda na elaboração da whishlist consciente. Aplicativo assim a gente ama né? Tenho vontade de dar um beijo na testa do criador e dizer: obrigada kyrido, você ajudou a salvar a minha vida!


Fonte: http://fashionista.com/2015/03/snupps-app

E nem preciso dizer onde salvo meu acervo de looks do armário cápsula né? Lá também dá pra fotografar looks prontos que você amou, e isso facilita bastante nos dias em que você não está muito inspirada pra criar. Todo mundo passa por isso algum dia, por mais que você ame moda, às vezes parece que toda a criatividade foi abduzida por aliens e você só quer poder sair de pijama.

O app também é uma rede social, você pode visualizar as prateleiras dos outros, buscar inspirações e curtir objetos. Confesso que não uso nesse intuito, minhas prateleiras são privadas (dá pra fazer isso, ufa!) porque não curto a ideia de mostrar o que tenho, e sim, como eu uso. 

É isso, gente, baixem e me contem o que acharam!

Besos,

Jessy.

domingo, 10 de abril de 2016

Consumo consciente de moda e Armário-cápsula

No post anterior expliquei um pouco como surgiu a necessidade de consumir menos coisas, com foco voltado pra moda, por ser o que mais me causou mini-pânico ao pensar em reduzir o consumo. Não me julguem mal, mas eu gosto de moda, de seguir "tendencinhas", e consumir isso me faz feliz! Eu compro roupa na China e tento ignorar, sem muito sucesso, os pensamentos de que as pessoas podem ser alvo de trabalho escravo por lá. Sou dessas, gente, "sóri". Mas meu grau de consciência está melhorando, então nada está perdido! Nesse post vou falar sobre os aspectos sentimentais (bizarros) envolvidos no processo de consumo e conto sobre uma ferramenta que tem me ajudado um bocado nessa busca por consumir menos.


O DESPERTAR PARA A CONSCIÊNCIA


Depois de um tempo vagando pelo mundo consumista, comecei a raciocinar sobre a alegria que sentia em comprar e ir, pouco a pouco, enchendo o meu armário de roupas. Sentia que o vazio do armário - e da alma - estava sendo preenchido com algo de que eu gostava muito e ficava imensamente feliz por poder fazer isso. Nem preciso dizer que fiz várias compras por impulso, tudo era motivo pra comprar: felicidade, tristeza, ou até motivo nenhum. Cheguei ao ponto de ter várias roupas que nem haviam sido usadas e mesmo assim eu comprava mais, mais e mais por achar que não tinha nada pra vestir! Encontrava-me naquele ciclo vicioso de quanto mais se tem, mais se quer ter e vivia uma fase mega estranha de bloqueio criativo que, embora eu trabalhasse diretamente com roupas, às vezes parecia que não conseguia montar um look decente.

Até que veio o colapso: meu guarda-roupas estava cheio mas minha alma esvaziou. A felicidade - estranhamente exagerada - que sentia quando comprava algo se transformou em culpa e tristeza. Ficou claro que algo estava errado, e num clique de consciência lembrei-me de um tempo em que eu vivia limitadíssima, praticamente não comprava roupas e nem por isso era infeliz. Não tenho nenhuma lembrança de me sentir angustiada ao chegar em casa com alguma peça nova, procurando sem sucesso um cabide vazio para pendurá-la, e chegando à conclusão errônea de que eu precisava de mais cabides - coisa que acontecia com frequência ultimamente.

Percebi que minha relação com o consumo de moda, era muito mais saudável naquela época e que, embora tivesse poucas roupas, montava looks facilmente diante das opções (sem gastar mil horas nessa função), tinha um estilo definido (esse tema dá outro post) e comprava algo só quando realmente estava precisando. Além disso, sentia minha criatividade mais aguçada já que precisava pensar no que vestir com mais cuidado e explorar várias combinações pra não cair na monotonia. Obviamente não fazia isso porque tinha alguma noção de consumo consciente, NÃO! Era assim porque não tinha dinheiros pra ser de outro jeito. Noção eu tenho hoje, pouca, mas tenho, o dinheiro que continua em falta. haha 



Então, voltando ao tempo das vacas magras (não que já tivessem sido gordas, inclusive esse dia engordativo poderia chegar logo) notei que precisava ser menos consumista e isso não necessariamente seria um sofrimento na vida.


Fonte: Pinterest.

A GRANDE DESCOBERTA


Vasculhando a internet em busca de ideias bacanas pra reduzir o consumo de roupas, encontrei vários posts em blogs legais sobre armário cápsula e pessoas que já o utilizavam e viviam dignamente por aí. E melhor, elas estão vivas contando suas histórias! haha Percebi que seria muito válido adotá-lo durante o período do meu desafio de 90 dias sem comprar e, de fato, está sendo uma feliz união.


O QUE É E COMO FUNCIONA


Fonte: Pinterest.


Pra quem não sabe, o armário cápsula é uma espécie de detox consumista. A ideia consiste em reduzir a quantidade de peças do armário, se desfazer das que não se usa e limitar a um número x de peças coringas e que combinam entre si por um período determinado de tempo. Quem define a quantidade de peças é cada um, de acordo com a própria realidade, afinal não há ninguém mais apto a saber disso a não ser você mesma. Essa ideia já existe desde os anos 70, mas quem popularizou na internet foi a blogueira do Un-Fancy, Caroline. Ela definiu o número 37 peças e eu resolvi copiar direitinho (muito empenhada!). Tem gente que aumenta esse número de peças e o tempo que vai usar pra um ano, por exemplo. Porém eu resolvi fazer por estações porque fica mais dinâmico e cai a probabilidade de eu me abusar disso tudo e correr pro shopping pra comprar o que eu quiser, porque ninguém é obrigado, mano! hahaha O importante é adequar o número de acordo com sua realidade e que a limitação não seja um sofrimento.


COMO CRIEI O MEU


Um belo dia, estava na loja em que trabalho (ou trabalhava, estou cumprindo aviso), e do nada - sério, do nada! - minha mente começou a fervilhar com as ideias para montagem do meu armário cápsula. Eu só lembro de ter pensado conscientemente na estação atual (outono) e me veio de cara uma paleta de cores na cabeça, e, a partir disso eu parecia que estava psicografando mais uma obra do Chico Xavier na minha agenda. Só sei que foi mesmo como uma providência divina que em menos de 30 minutos e sem sequer abrir o armário, defini as roupas que iria usar nos próximos 90 dias. hehe

As cores foram o pontapé inicial para a seleção, só foi criar a paleta mentalmente e todo o resto ficou bem fácil. Priorizei pra esse primeiro armário algumas peças que nunca tinha usado e deixei outras novinhas pra usar nos próximos. Me desfiz de pouquinhas peças, pois sempre estou doando as coisas que constato que não vou usar mais, desse hábito de acumular eu não sofro, glória! 


Existe um checklist com algumas questões a serem respondidas que facilita a criação do armário, mas eu não usei, sequer fui procurar. No meu caso, apesar de a criação ter sido bem intuitiva, acho que tem dado muito certo principalmente por ser o primeiro. Já estou na segunda semana e bem satisfeita! Mas eu vou procurar esse check list pra colocar aqui e, se achar válido, posso tentar usar na criação do próximo.

VANTAGENS 


As minhas primeiras experiências com esse projeto têm sido extremamente positivas (tô tão animada que a vontade é de fazer a vida inteira) haja vista que eu tenho aproveitado mais as minhas roupas usando-as mais vezes e experimentando muito mais combinações de looks diferentes que antes, diante das milhares de opções, eu não imaginaria fazer. Tenho entendido, na prática, o conceito minimalista de que menos é REALMENTE mais. Um armário sucinto e funcional é infinitamente melhor do que um abarrotado de coisas que, ocasionalmente, gera excesso de informação e disfunção na criatividade do ser humano.

A economia de tempo é realmente de se aplaudir de pé, gasto menos de 1 min pra escolher o que vou vestir coisa que antes eu gastava uns 10 ou 15 min. Sério, tempo é uma das coisas mais preciosas da vida, se formos calcular a longo prazo o quanto de tempo investimos nessa função, pode ser bem assustador, então aconselho pular essa parte.

Outro ponto importante é que fiquei mais atenciosa com as peças e separei um monte de roupas que estavam precisando de ajustes e já levei imediatamente à costureira as que selecionei para o armário, que vou precisar usar logo, coisa que eu acabava procrastinando e usando sempre do jeito que estava. Me sinto até mais bem vestida porque roupa ajustada tem outra cara, né?!

DESVANTAGENS


Estou indo para a terceira semana de armário cápsula, tempo que ainda acho muito curto pra ter todas as percepções. Até agora eu não vi desvantagem alguma mas, ao final do projeto, devo ter alguma reclamaçãozinha a fazer. Eu aviso! 

CONCLUSÃO


Já que esse post ficou quase do tamanho de uma monografia, vamos finalizar de tal forma: pode-se concluir que o armário cápsula é uma experiência que todas as pessoas que se declaram consumistas e gostam de moda, deveriam ter. É possível aprender coisas valiosas e transformar a sua visão de consumo pautada na sustentabilidade englobando não só aspectos ambientais, mas também financeiros. Por fim, diante da crise que o país está vivendo, economizar é a maior tendência de moda dos últimos tempos! 

domingo, 3 de abril de 2016

Consumismo e uma vida mais simples

*Imagem retirada do Pinterest.

Há algum tempo, em mais um dos meus devaneios e pensamentos sobre aleatoriedades da vida, flagrei-me pensando sobre o consumo das coisas. Leia-se "coisas" no sentido mais genérico, abrangendo o mais amplo leque do que seriam coisas que se pode reduzir o consumo: papel, tubos de cosméticos, maquiagem, comida - sim, por que não?! - e o mais óbvio pra mim, ROUPAS! A ideia de simplificar a vida e resumí-la ao consumo apenas do que realmente se precisa me pareceu excelente depois de um ano de excessos e pouca economia. A proposta não é ser naturalista, só comer o que plantar ou viver numa comunidade afastada livre do consumo superficial. Pelo menos não ainda, que fique claro. Mas desde que comecei a trabalhar, obviamente, ganhei mais autonomia para fazer da minha vida o que eu queria. Mesmo ganhando pouco, descobri em mim um lado consumista que o "liseu" em que vivia anteriormente, tinha mascarado. É aí que entram os excessos... Eu não conseguia cumprir o orçamento que tinha estabelecido pra minha vida atual e sempre que recebia o salário a frustração: não sobrava nadinha pra guardar. E assim, algumas metas vinham sendo adiadas na minha vida, sempre por motivos supérfluos e que eu poderia contornar, bastava que eu quisesse.

No início eu adorava poder comprar com meu dinheirinho, sem pedir autorização de ninguém ou ter que usar do meu poder de persuasão pra isso. E aí eu fui comprando cada vez mais e sem muito controle e noção do que estava fazendo. Aproveitava todas as promoções do site que eu gosto e da loja em que eu trabalhava e, assim, achava que já estava fazendo boa economia, porque era muito difícil eu pagar o preço cheio das coisas. Pra comprar, tinha que estar na promoção! O que, mais uma vez, mascarava o consumismo. Eu nunca me enxerguei como uma pessoa consumista, embora minha mãe tenha chamado minha atenção algumas vezes dizendo que eu estava comprando coisas desnecessárias e que eu não precisava de tudo aquilo. Mas eu, cheia de convicção por achar que tinha uma visão sensata sobre mim, sempre rebatia dizendo que "não poderia deixar de aproveitar a promoção". E a ficha de que eu era realmente uma pessoa consumista - nem que fosse de promoções - demorou a cair.

Só vim ter consciência quando, diante da crise que assola nosso país, a dona da loja em que eu trabalho me avisou que não estava mais dando pra pagar as contas e que teria que fechar o estabelecimento. Com o desemprego me dizendo "olár" e uma outra realidade me batendo à porta, a ficha não só caiu, despencou! Eu tenho que segurar MUITO as pontas pra viver nos próximos meses e, por enquanto, sem tempo certo para essa fase de privações acabar. Assim, não me resta outra alternativa que não reduzir  o consumo de coisas aleatórias e por isso lancei a mim mesma o desafio de passar 90 dias sem comprar. Nessa proibição entra roupas, assessórios num geral e itens de maquiagem que eu já tenho e compraria só pra satisfazer uma vontade descabida. Não estou proibida de comprar se algo que usava diariamente acabar, por exemplo, shampoo, algum item importante de maquiagem, protetor solar, etc. 

Eu não posso dizer que fiquei verdadeiramente triste. Acho mesmo que existe o tempo certo das coisas, e não demorei a aceitar que o período vivendo aquela realidade tinha acabado. E que bom que acabou porque eu não estava feliz com o meu tempo sendo subaproveitado com algo que eu não iria fazer a minha vida inteira e não estava mais me proporcionando aprendizado. Então, assinar o aviso prévio foi como assinar de novo meu direito à liberdade - de ir e vir, de escolha, de descobrir vontades - e a sensação de passarinho preso, o engessamento e o bloqueio criativo, aos poucos, estão indo embora.

Não sei o que acontecerá no futuro, por enquanto eu tenho alguns planos, mas nada de muito concreto ainda. As únicas coisas de que tenho certeza são as roupas que vou usar nos próximos 3 meses e é sobre isso que vou falar no próximo post.


Besos,

Jessy.